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domingo, 5 de setembro de 2010
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Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa - 1990

ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA - 1990

 

1. Alfabeto

 

Com a inclusão das letras k, w e y, o alfabeto passa a ter vinte e seis letras:

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

Uso:

         Nomes próprios de pessoas e derivados;

         Nomes próprios de lugares e derivados;

         Siglas, símbolos, unidades de medida.

 

2. Trema

 

O trema deixa de existir na grafia das palavras da língua portuguesa.

Observações:

         Palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros conservam o trema;

         A ausência do trema não implica nenhuma alteração na pronúncia da palavra.

Como era                                        Como fica

Agüentar                                           Aguentar

Cinqüenta                                         Cinquenta

 

3. Acentuação

 

Palavras paroxítonas:

            Mantêm-se as regras de acentuação gráfica das paroxítonas, com algumas exceções.

a) Os ditongos abertos ei e oi não são acentuados nas palavras paroxítonas:

Como era                                        Como fica

Idéia                                                    Ideia

Jóia                                                     Joia

 

b) O hiato -oo não é mais acentuado nas palavras paroxítonas:

Como era                                        Como fica

Vôo                                                      Voo

Entôo                                                   Entoo

 

c) O Acordo eliminou o acento circunflexo do hiato -ee, na terceira pessoa do plural dos verbos crer, dar ler, ver e seus derivados:

Como era                                        Como fica

Descrêem                                            Descreem

Crêem                                                  Creem

 

d) Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/ para, péla(s)/ pelas, pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/ polo(s) e pêra/ pera.

 

Como era                                        Como fica

Ele pára o carro.                                 Ele para o carro.

Ele foi ao pólo Norte.                         Ele foi ao polo Norte.

Esse gato tem pêlos brancos.          Esse gato tem pelos brancos.

Comi uma pêra.                                  Comi uma pera.

 

 

Observações:

  • Manteve-se o acento na forma verbal pôde (pretérito perfeito) para diferenciá-la do pode (presente do indicativo).

      Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.

  • O verbo pôr mantém o acento para diferenciar-se da preposição por. Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.
  • É facultativo o uso do acento para diferenciar as palavras forma/ fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara.  Exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?

 

e) Palavras paroxítonas cujas vogais tônicas i e u vêm após ditongo não são acentuadas:

Como era                                         Como fica

Feiúra                                                   Feiura

 

f) Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles) arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir.

 

4. Uso do hífen

 

            As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefixos, como: aero, agro, além, ante, anti, aquém, arqui, auto, circum, co, contra, eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper, infra, inter, intra, macro, micro, mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, semi, sobre, sub, super, supra, tele, ultra, vice, entre outros.

 

a) Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h.

Exemplos:

Anti-higiênico

Macro-história

Proto-história

Super-humano

Anti-histórico

Mini-hotel

Sobre-humano

Ultra-humano

 

b) Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento.

Exemplos:

Aeroespacial

Agroindustrial

Anteontem

Antieducativo

Semiaberto

Autoaprendizagem

Autoescola

Autoestrada

Autoinstrução

Semianalfabeto

Coautor

Coedição

Extraescolar

Infraestrutura

Plurianual

 

c) Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de r ou s.

Exemplos:

Anteprojeto

Antipedagógico

Autopeça

Autoproteção

Coprodução

Geopolítica

Microcomputador

Pseudoprofessor

Semicírculo

Seminovo

Semideus

Ultramoderno

Com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen. Exemplos: vice-rei, vice-almirante.

 

                                             

d) Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras.

Exemplos:

Antirrábico

Antirracismo

Antirreligioso

Antirrugas

Antissocial

Ultrarresistente

Biorritmo

Contrarregra

Contrassenso

Cosseno

Infrassom

Ultrassom

Microssistema

Minissaia

Multissecular

Neorrealismo

Neosimbolista

Semirreta

 

e) Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal.

Exemplos:

Anti-ibérico

Anti-imperialista

Anti-inflacionário

Anti-inflamatório

Auto-observação

Contra-almirante

Contra-atacar

Contra-ataque

Micro-ondas

Micro-ônibus

Semi-internato

Semi-interno

 

f) Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante.

Exemplos:

Hiper-requintado

Inter-racial

Sub-bibliotecário

Super-racista

Super-reacionário

Super-resistente

Super-romântico

Inter-regional

 

Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: sub-região.

  • Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano.

 

g) Quando o prefixo termina por consoante, não se usa hífen se o segundo elemento começar por vogal.

Exemplos:

Hiperacidez

Hiperativo

Interescolar

Interestadual

Interestelar

Interestudantil

Superamigo

Superaquecimento

Supereconômico

Superexigente

Superinteressante

Superotimismo

 

 

h) Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen.

Exemplos:

Além-mar

Além-túmulo

Aquém-mar

Ex-aluno

Ex-diretor

Ex-hospedeiro

Ex-prefeito

Ex-presidente

Pós-graduação

Pré-história

Pró-europeu

Recém-nascido

Recém-casado

Sem-terra

Pré-vestibular

 

 

i) Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, guaçu e mirim.

Exemplos: amoré-guaçu, capim-açu.

 

j) Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares.

Exemplos: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.

 

k) Mantém-se o hífen nas palavras compostas.

Exemplos:

Guarda-noturno

Conta-gotas

Guarda-roupa

Arco-íris

Guarda-sol

Guarda-chuva

Maria-mole

Porto-alegrense

Sul-africano

Tenente-coronel

 

l) Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição.

Exemplos:

Girassol

Madressilva

Mandachuva

Paraquedas

Paraquedista

Pontapé

 

m) O Acordo regularizou o uso do hífen na grafia de todas as palavras que indicam espécies de plantas ou de animais:

Exemplos:

Couve-flor

Couve-de-bruxelas

Ervilha-torta

Formiga-da-roça

Formiga-ferro

Flor-do-espírito-santo

Pimenta-do-reino

Canário-da-terra

Tamanduá-bandeira

Erva-doce

Erva-cidreira

Flor-da-noite

Pintassilgo-verde

Sabiá-laranjeira

            Embora não tenha havido modificações por conta do Acordo quanto à grafia dos compostos com os advérbios bem e mal, pela dúvida que essas grafias trazem, justifica-se uma explicação sobre esse caso.

 

n) Usa-se hífen nas palavras compostas com os advérbios bem e mal, quando formam uma unidade com significado e o segundo elemento começa por vogal ou h:

Bem-aceito

Bem-afortunado

Bem-arrumado

Bem-estar

Bem-humorado

Bem-orientado

Mal-aceito

Mal-afortunado

Mal-arrumado

Mal-estar

Mal-humorado

Mal-orientado

 

Observação: O advérbio mal sempre se aglutina com consoantes. Com o advérbio bem, isso nem sempre acontece. É por esse motivo que há estas grafias:

Bem-criado

Bem-falado

Bem-nascido

Bem-sucedido

Malcriado

Malfalado

Malnascido

Malsucedido

            Entretanto, em alguns casos, o advérbio bem se aglutina com o segundo elemento: benfazejo, benfeitor, benquerença.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

TUFANO,Douglas. Guia Prático da Nova Ortografia. Michaelis.

SOARES, Rosalina. Guia Ortográfico da Língua Portuguesa. Editora Positivo.

 

 

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